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Primeira Fila - Alonso consolidado
Em pouco mais de duas semanas, Fernando Alonso cravou de vez seu nome na história da Fórmula-1. Não bastasse os 21 confortáveis pontos de vantagem para Michael Schumacher na liderança do campeonato – em uma luta que promete ser acirrada até as últimas corridas da temporada, o asturiano venceu duas importantes etapas para sua carreira: os GPs da Espanha e de Mônaco.
Ao longo de seus 3.340 metros de extensão, Monte Carlo é um traçado sinuoso, exigente aos pilotos, conhecido por favorecer os bons de braço. E, com a vitória em Mônaco, Alonso entrou para o restrito "hall" de campeões mundiais que triunfaram no Principado. Dos 28 campeões da história da Fórmula-1, metade não alcançou o primeiro lugar na corrida de maior glamour do automobilismo europeu. Nessa lista, estão nomes do porte de Alberto Ascari, Jim Clark, Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Nigel Mansell. Já a vitória de Alonso em Barcelona veio em importante momento ao espanhol e à Renault.
Além de frear uma seqüência ascendente da Ferrari – após dois triunfos consecutivos de Michael Schumacher, o resultado reafirmou a superioridade do Renault R26 diante dos demais concorrentes na atual temporada. Em um dos circuitos mais seletivos do campeonato, Montmeló, o carro da equipe francesa mostrou grande equilíbrio e potência. Contando com isso e uma pilotagem precisa, Alonso venceu com tranqüilidade. Além disso, a montadora francesa conquistou um valioso terceiro lugar para Giancarlo Fisichella – e vale ressaltar que o italiano não anda lá em seus melhores dias... E tão importante quanto o resultado para Alonso na disputa pelo título, o primeiro lugar em casa teve um gosto especial para o espanhol.
De fato, ganhar em casa não é tarefa fácil. Para muitos pilotos, o apoio da torcida e da mídia, às vezes, acaba tendo um viés: a sensação da obrigação pela vitória. Rubens Barrichello conheceu essa situação como poucos, nos últimos seis anos. Até Ayrton Senna, do alto de seu talento inquestionável, padeceu para vencer no Brasil. Quando faturou pela primeira vez o caneco no País, na etapa de 1991, já era um consagrado bicampeão. Antes disso, tinha disputado sete GPs Brasil e o tão desejado triunfo bateu na trave em duas ocasiões: em 1986 e 1990. Na primeira, chegou em segundo lugar, após belos duelos com Nélson Piquet no início da prova em Jacarepaguá. Já em 1990, na volta da F-1 a Interlagos, liderava a corrida até "encontrar" o retardatário Satoru Nakajima pelo caminho...
Já "Nanín" Alonso mostrou lidar muito bem com esse tipo de situação. Longe de entrar na questão de que a torcida na terra das touradas é menos exigente que no Brasil – até pelo fato da F-1 começar a florescer aos ibéricos justamente com Alonso, é evidente que o piloto da Renault mostrou muita naturalidade dentro e fora das pistas. Aliás, dentro do cockpit, usou a já comunal garra para segurar alguns ataques de Schumacher durante a corrida. Parecia que, estava correndo um GP qualquer, Hungria, Turquia... quando estava atuando em seu país.
Mais que caminhar firme rumo ao bicampeonato, Fernando Alonso se consolida cada vez mais como um dos grandes nomes da história da F-1. Mesmo que a partida para a McLaren não reserve bons resultados de início, o espanhol tem somente 24 anos e ainda muitos campeonatos para somar números de respeito na F-1. Algo semelhante ocorreu com Michael Schumacher na Ferrari. Nem mesmo quatro anos de "vacas magras" pelo lado de Maranello, impediu que o alemão conquistasse cinco títulos consecutivos e quebrasse praticamente todos os recordes da categoria. Contudo, como é improvável que a equipe de Woking não ofereça um carro vencedor já em 2007, o "Príncipe" da categoria já se fixou com o herdeiro natural de Michael Schumacher ao trono da Fórmula-1.
Rafael Ligeiro
Rafael Ligeiro é bacharelando em Comunicação Social. Desde 2002, escreve colunas para vários sites especializados em automobilismo no Brasil e exterior, como Portugal e Argentina. É editor da Revista Faster e do site Primeira Fila (www.rafael-ligeiro.siteonline.com.br).
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