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Primeira Fila - Desafio espanhol




Após as vitórias de Michael Schumacher nas provas de Ímola e Nurburgring, o torcedor da Ferrari fica com a sensação de que o restante da atual temporada de Fórmula-1 tem tudo para ser, no mínimo, bem menos vexatório que o campeonato 2005 para o time de Maranello. Também não é para menos. Excetuando a eficiência dos vermelhos nas táticas de corrida e o incontestável talento de Michael Schumacher – fatores ainda essenciais na busca por vitórias, o modelo 248 F1 demonstrou grande combatividade nas últimas duas etapas. Contudo, o GP da Espanha, nesse domingo, será importante para a resolução de uma dúvida: até onde pode chegar a Ferrari em 2005?

Não é por acaso que, durante a pré-temporada, as equipes da F-1 se reúnem para testes no autódromo de Montmeló. Além de o clima ser menos rígido que em outras localidades de um hemisfério norte “gélido” no período e não possuir regulamentações ambientais – em Monza, por exemplo, os testes são limitados como controle aos gases poluentes emitidos pelos monopostos, o circuito espanhol é seletivo. Conseqüentemente um excelente desafio para engenheiros e técnicos das escuderias buscarem o melhor rendimento de novos componentes e modelos.

Ao longo de seus 4.730 metros, Montmeló oscila trechos de alta e baixa velocidades. Além de uma das mais longas retas principais da Fórmula-1 atual, a pista conta com curvas percorridas sob alta velocidade. Dentre essas estão a Renault (quarta marcha, a 210 km/h), Campsa (quarta marcha, a 200 km/h) e New Holland (quarta marcha, a 220 km/h). Contudo, há trechos de “baixa” velocidade como a Seat (segunda marcha, a 95 km/h), Banc Sabadell (segunda marcha, a 115 km/h), além da primeira curva após a reta principal, onde o piloto executa uma brusca redução na velocidade de seu carro (de cerca de 310 para apenas 120 km/h). E, diante dessas características, o traçado catalão exige um carro veloz, e, sobretudo, bastante equilibrado.

Por isso, não é estranho verificar um dado interessante. Dos 15 Grandes Prêmios realizados desde o ingresso do circuito situado em Barcelona na F-1, em 1991, 10 vezes o vencedor da etapa foi o campeão do mundo. Em quarto ocasiões, foi vice (1991, Mansell; 1994, Hill; 2000, Hakkinen; e 2005, Raikkonen). A pior classificação em campeonatos de um piloto que faturou o primeiro lugar no circuito espanhol aconteceu com Michael Schumacher: terceiro lugar, em 1996.

Embora a Renault seja favorita à vitória, além de contar com a motivação de Fernando Alonso por correr em casa, a fase da Ferrari é boa. Resta apenas saber até onde os italianos podem ir: lutar pelo título ou apenas ser figurante da Renault. Um bom rendimento e vitória para Schumacher nesse domingo seria um excelente indício de que o time de Maranello virá com forças na briga pelo caneco de 2006 e daria mais moral à equipe.

Como dinheiro no bolso, canja de galinha e palpite não faz mal a ninguém, arrisco dizer que veremos Alonso e Schumacher brigando pela vitória – com leve vantagem ao espanhol. Já para nosso Felipe Massa fica uma boa possibilidade de conquistar mais um pódio, mantendo uma regularidade que será importante para sua permanência na Ferrari em 2007.


Rafael Ligeiro

Rafael Ligeiro é bacharelando em Comunicação Social. Desde 2002, escreve colunas para vários sites especializados em automobilismo no Brasil e exterior, como Portugal e Argentina. É editor da Revista Faster e do site Primeira Fila (www.rafael-ligeiro.siteonline.com.br).
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