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O setor G
Sim, querido leitor, eu sei que essa coluna está atrasada não sei quantas
semanas. Também sei que você já deve ter lido umas quinze colunas sobre a
corrida em Interlagos, mas eu não poderia deixar de escrever sobre essa que
foi a melhor prova de Fórmula 1 das três que eu já vi ao vivo.
Eu não sei se vocês sabem, mas eu não sou uma jornalista especializada que
cobre a Fórmula 1 "in loco". Tudo o que escrevo em minhas colunas é baseado
naquilo que vejo na telinha. Porém, na última etapa do campeonato eu tive o
prazer de estar muito bem acomodada nas luxuosas instalações da arquibancada
do setor G, no final da reta oposta, no autódromo de Interlagos. Como lá não
tem televisão, só me resta contar à vocês o que vi com meus próprios olhos.
Então, vamos lá. Eu disse que estava bem acomodada, certo? Pois bem, é
mentira. As arquibancadas do setor G conseguem piorar a cada ano. Não
entendo como ninguém nunca caiu de lá ou como aquela birosca nunca
despencou. Nem vou falar das incríveis instalações sanitárias porque é
covardia. Tampouco me lembrarei que o setor G é desprovido de qualquer tipo
de cobertura, deixando os torcedores expostos ao frio, calor, vento e chuva
(que vem da represa).
Você deve estar perguntando: Se o G é uma porcaria, por que diabos essa
menina não comprou ingresso pra outro setor? Eu explico: Apesar de todos os
percalços, poucas coisas são tão divertidas quanto passar dois dias no setor
G, principalmente se você passa a noite de sábado na fila para conseguir um
bom lugar no domingo. Sim, parece coisa de doido, e realmente é. A fila e a
arquibancada do setor G são as maiores concentrações de doidos por metro
quadrado do país. Ali tem de tudo, de duendes e presidiários à homens com
uma roupa inflável em forma de bailarina gorda. Simplesmente hilário!
Cansativo, mas hilário.
Porém, quando as luzes vermelhas se apagam, todo o cansaço parece sumir e o
setor G, onde é possível ver até 80% da pista, se torna o melhor lugar do
mundo. O barulho daqueles carros parece hipnotizar a torcida, que acompanha
cada momento com empolgação, vibra com cada ultrapassagem e xinga o piloto
que erra. No fim, a alegria pela vitória de Felipe Massa estava estampada no
rosto dos torcedores, embora, na minha humilde opinião, a vibração com a
pole de Rubens Barrichello em 2004 tenha sido muito maior. Vai entender, né?
Mas a paixão é assim mesmo. Ela faz você pagar uma quantia considerável em
um ingresso, tomar sol, chuva, passar frio, calor, fome e sede e ainda achar
isso a melhor coisa do mundo. Coisa de doido, literalmente!
Marie Lucci – Jornalista formada em 2005. Começou a carreira no Reporter Axe e trabalhou na Agência Lusa. Hoje em dia trabalha como
assessora de imprensa.
marie@forummotorhome.com.br
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