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Coluna Batendo Pino - Antigamente é que era bom




Desde que comecei a acompanhar a categoria máxima do automobilismo ouço os mais velhos repetirem a mesma saudosista frase: Antigamente é que era bom.

Às vezes, me bate uma pontinha de inveja daqueles que puderam ver o pai do Jacques Villeneuve nas pistas, ainda que através de uma telinha. Mas admito que não tenho muito do que me queixar, já que pude acompanhar toda a carreira do namorado da Xuxa e um pedaço da carreira do pai do Nelson Ângelo.

Mas, se as corridas de hoje da Fórmula 1 não são parecidas com Donington 93, pelo menos poderiam ser como o GP da Austrália em 2006. Tá bom, não precisa ser igual em tudo, porque uma corrida com o saldo de nove carros a menos no final não pode ser tudo isso. Mas pelo menos ninguém pode reclamar que a corrida foi monótona.

Logo na volta de apresentação teve colombiano rodando na pista. E na largada, teve motor apagando e uma inusitada segunda volta de apresentação. E, na largada de verdade, sanduíche de carros de bebida energética com recheio vermelho. Emoção pra vovô nenhum botar defeito, não acham?

E dá-lhe trabalho para o safety car. Klien, Liuzzi e o Schumacão espatifaram seus carrinhos no muro e deixaram lembranças pela pista, dando trabalho aos fiscais e ao motorista do carro prateado com motor que estoura. Se fosse antigamente, o resultado da batida poderia ser pior, já que naquela época, acidentes fatais eram comuns. Então, nesse caso, não há porque ter inveja.

Quem não teve muitos problemas para chegar ao lugar mais alto do pódio foi Fernando Alonso. O asturiano não precisou de muito para assumir a liderança e passear sozinho lá na frente. Mas também duvido que antigamente isso nunca aconteceu.

Quando todo mundo pensava que estava tudo acabado, o motor do companheiro de equipe do brasileirinho abriu o bico e deixou o cara a pé a poucos metros da linha de chegada. Bom pro companheiro do Alonso, aquele mesmo do motor apagado na largada. Outro que se deu bem foi o outro Schumacher, que foi ao pódio e ganhou um lindo prato pra pendurar na parede.

E lá, bem lá no final, 3 voltas após Alonso ter cruzado a linha de chegada, veio Yuji Ide. Sim, Ide, aquele que “atrapalhou” o Rubinho na classificação. Os que apostaram que ele não passaria da primeira curva se surpreenderam ao vê-lo chegar ao fim, ainda que muito distante dos outros. Vale lembrar que muitos bons pilotos, entre eles o hepta campeão, erraram e acabaram beijando o muro. E ainda queriam cassar a superlicença do moço. Uma tremenda falta de educação.

Se o GP da Austrália não foi digno de comparação às saudosas corridas de Fórmula 1 do passado, na opinião dessa humilde colunista, foi um dos melhores GPs da atualidade, daqueles para os torcedores se lembrarem por muito tempo e alguns pilotos esquecerem rapidinho.


Marie Lucci – Jornalista formada em 2005. Começou a carreira no Reporter Axe e trabalhou na Agência Lusa. Hoje em dia trabalha como assessora de imprensa.

marie@forummotorhome.com.br
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