No Vácuo - Onze em Doze


Lá se vai mais da metade da temporada e já podemos dizer com todas as letras: Michael Schumacher é campeão do mundo de 2004. Sete títulos em 13 temporadas completas, mais de 50% de aproveitamento. Nos números, o melhor piloto de todos os tempos. Nos números. Ainda faltam o carisma de Ayrton Senna, a genialidade de Niki Lauda, a constância de Emerson Fittipaldi e uma mistura de loucura entre Gilles Villeneuve e Jim Clark. É impressionante que, mesmo depois de todas as dificuldades sofridas por ele para ganhar o campeonato do ano passado tenham se transformado em uma exímia competência ao volante e, de novo, um bocado de sorte.

O mau começo de prova de Raikkonen na Inglaterra e a asa que simplesmente foi catapultada da traseira da McLaren antes da primeira parada na Alemanha fazem do Homem de Gelo um dos grandes pé-frios da F-1. Foi nessa fase da temporada passada, entre França e Hungria que o finlandês perdeu o campeonato de 2003; e é nessa fase que conhece seu pior desempenho na categoria, fruto de um carro mal feito, porém bem desenvolvido. Uma McLaren que levou Coulthard ao quarto lugar na Alemanha, pasmem.

Na Inglaterra viu-se que o tempo do Marc Gené passou. Não andou sequer entre os oito primeiros durante a prova e foi apenas o 12º na classificação final. Depois do pífio resultado também na França, Frank Williams resolveu: “trago o Mark Webber para andar para mim no ano que vem e depois coloco o Pizzonia para um teste”. Deu certo. A colocação do brasileiro na corrida, mesmo sendo atrapalhada por um desempenho muito ruim na classificação, mostrou que Antônio Pizzonia tem sim condições de andar na Williams em 2005. Ao lado de Webber, será o reencontro depois de quase dois anos numa mesma equipe. Que o australiano não se empolgue, na Jaguar o profissionalismo passa longe, muito longe. E foi-se o tempo que Frank e Patrick Head iam contra um piloto por simplesmente não gostar dele. Hoje, sabem os dois que sua equipe não é mais a unanimidade dos anos 90, portanto atitudes como as tomadas com relação ao Piquet em 86 e 87 farão com que seus pilotos troquem de escuderia; alías como Montoya fez - aqui cabe uma observação: sem pilotos alemães na equipe no ano que vem, quero ver a BMW ficar colocando a colher no meio da briga, como fez ano passado.

Os outros brasileiros não foram muito bem na Alemanha. Barrichello mostrou seu raro destempero em primeiras voltas e perdeu o bico no cotovelo batendo na traseira do Coulthard. Massa, ainda seguindo a tática do Fisichella de parar uma vez a menos na corrida, não passou do 10º lugar. E Cristiano da Matta, uma pena, além de não completar a prova carrega a suspeita de que fora preterido com relação ao equipamento na Toyota. Com certeza ele é um dos que abandonam a categoria no fim do ano, já que Trulli é dado certo como companheiro de equipe de Ralf Schumacher no ano que vem. Abre-se uma vaga na Renault, concordo. Mas já é do Giancarlo Fisichella. Na BAR? Talvez, mas o bom relacionamento do brasileiro com a arqui-rival da Toyota, a Honda, praticamente impede a assinatura do contrato. Sobra a Newman-Haas para o ano que vem.

Um abraço e até a próxima.

Carlo Zanovello, 24, é Engenheiro Mecânico e um apaixonado por F-1. Já escreveu por dois anos nos sites Amigos da Velocidade e Bate-Roda. Volta agora à ativa pelos amigos do Green Flag.
Email: carlozanovello@hotmail.com