No Vácuo - Caiu do céu


Domingo ficou mais do que claro: a Ferrari tem o melhor conjunto para corridas da F-1 atual. Mesmo com o tanque pela metade, conseguia fazer os mesmos tempos que BAR, Renault e Williams - exceção feita ao Montoya, com tanque vazio voava com seu carro para cima do alemão.

E que a imprensa italiana não fique muito animada: Rubens Barrichello não tinha como ultrapassar o alemão em Montreal - pasmem, sou um dos maiores críticos do piloto brasileiro. Montoya ficou oito voltas atrás, fritou os pneus, colocou de lado... No Canadá, só no final das duas retas; mesmo assim contando com uma maior potência do motor. Barrichello ainda fez certo, pois se livrou de Raikkonen ainda no início da prova. Contou ainda com a desclassificação de Toyota e Williams. Ralf Schumacher andou dando murros na própria sombra, esbravejou, parecia aquela hiena do desenho animado. Azar, os dutos de freio - cá entre nós, dentro da tolerância de fabricação - tiraram os pontos até do pobre Cristiano da Matta. Pena, fez uma corrida impecável, sofrendo muito com as bandeiras azuis mostradas a ele.

Bandeira azul hoje virou arma de equipe grande para fazer pressão sobre os de equipes menores. Na corrida passada, em Nurburgring e Mônaco viu-se um agitar de bandeiras insaciáveis para Toyota e Jordan. Depois querem que o campeonato tenha graça, quando tem gente na frente que pode segurar um pouquinho e gerar uma briga, lá vem a tal da bandeira azul. Os fiscais devem estar meio acostumados com McLaren na frente e assustados com BAR crescendo. Outrora, BAR era sinônimo de últimos lugares do grid.

Parem as máquinas! Tem ainda o tal do Timo Glock - finalmente um piloto alemão com um nome mais fácil de digitar. Andou na frente do Nick Heidfeld, numa pista apresentada a ele só na sexta-feira. E, depois do desempenho no circuito Gilles Villeneuve, fica difícil entendem como a Jordan ainda se curva a patrocinadores que colocam qualquer um na pista. Com todo respeito ao Giorgio Pantano, campeão de F-3000 e tudo mais, mas ele não serve na F-1. Pode até ser que numa categoria como a Champ Car (leia-se Fórmula Mundial) ele venha a se destacar. É, porque lá até o Justin Wilson e o Rodolfo Lavin fazem a festa. Dá até vontade de fazer um curso de pilotagem e encaram um oval. Ah se não me faltasse o dinheiro.

Pessoal, final de semana em Indianápolis tem mais. Duvido que a BMW não monte uma usina para empurrar o fraco chassi FW26. Se o carro da BAR é tudo isto mesmo, vai ficar complicado para Schumacher e Barrichello.

Porque eu só falei do alemão da Ferrari só no final da coluna? Qual é a novidade dele ganhar o GP do Canadá.

Um abraço e até a próxima.

Carlo Zanovello, 24, é Engenheiro Mecânico e um apaixonado por F-1. Já escreveu por dois anos nos sites Amigos da Velocidade e Bate-Roda. Volta agora à ativa pelos amigos do Green Flag.
Email: carlozanovello@hotmail.com