No Vácuo - Só Deus salva




Vocês leitores já perceberam em frases de pára-choque de caminhão a frase mencionada no título. Pois bem que a McLaren poderia adotá-la no aerofólio traseiro de seus carros, já que ficar à frente apenas de Jaguar e Toyota numa pista onde testaram até fazer calos nas mãos é inconcebível para uma equipe de tal tamanho. A marcha-a-ré dada pelo time de Ron Dennis neste ano é de um caso tão crítico que fez David Coulthard, nomeado prêmio Otimista do Ano em 2001 ao achar que seria campeão em cima da Ferrari de Schumacher, declarar a sua total falta de crença numa melhora repentina na performance. Pior, nem a Williams com o intrépido Montoya admite ter condições de segurar os carros vermelhos.

Ficamos na dependência de BAR e Renault. Mas, para que andem rápido, são obrigados a largar com um suspiro de gasolina. Largam bem, tomam a ponta, mas do lado de lá tem um tal de Michael Schumacher que precisa de pouco mais de uma volta para tirar a diferença na pista. Fica realmente muito complicado torcer assim.

Calma, ainda tem o Barrichello. Teria. O brasileiro não tem ainda o hábito de se superar quando o concorrente pára nos box para troca de pneus e reabastecimento. Resultado, mesmo com o alemão parando antes, nosso piloto não consegue colocar-se à frente dele. Infelizmente, como o próprio Barrichello admitiu semana passada, Schumacher, mesmo depois de 200 GP´s, ainda é muito rápido.

Felipe Massa e Crisitano da Matta ainda dependem da sorte para pontuar. O primeiro faz corridas boas, larga bem, mas esbarra na falta de aderência do modelo Sauber deste ano. Porém tem andado à frente de seu companheiro de equipe, o italiano Fisichella, nos treinos e coloca-se claramente à postos numa possível sucessão do cockpit Ferrari. O segundo precisa abrir os olhos. Continuando com este rendimento pífio, a Toyota corre o risco de enterrar a carreira de Cristiano de vez na F-1. Pior, sem um rendimento aceitável, o brasileiro jamais teria um cockpit razoável para 2005.

Por falar em 2005, a Williams tem sido a menina dos olhos de Jacques Villenueve. O canadense, sabedor da condição atual dos contratos de Montoya e Ralf, praticamente vende-se a qualquer preço ao Frank Williams. Bom negociador, Williams não pagaria mais do que US$ 6 milhões/ano para ter o campeão mundial de 1997 de novo pilotnado por ele. Caso a negociação do salário de Villeneuve chegue acima disto, Frank com certeza promoverá Antonio Pizzonia e Marc Gené a pilotos titulares; conforme previsão de Montoya. Aliás, muito cômoda por sinal: sendo os pilotos de testes efetivados em 2005, não seria ofuscado pelo "bad boy" Villeneuve numa eventual disputa com a McLaren. Outra, não duvido nada que o atual rendimento da Williams seja na verdade o maior "Miguel" da história da F-1. Ou vocês acham que Frank e Patrick Head iriam desvendar os segredos de 2005 nas mãos dos atuais pilotos. Ninguém é tão bobo a este ponto.

Um abraço e até a próxima.

Carlo Zanovello, 24, é Engenheiro Mecânico e um apaixonado por F-1. Já escreveu por dois anos nos sites Amigos da Velocidade e Bate-Roda. Volta agora à ativa pelos amigos do Green Flag.
Email: carlozanovello@hotmail.com