Olá pessoal Tudo bem? Eu deveria nesta coluna estar escrevendo sobre o evento que deveria ter ocorrido no último final de semana aqui no Autódromo de Jacarepaguá, mas, infelizmente ele foi cancelado. O motivo do cancelamento foi porque a Secretaria de Esportes fechou o autódromo para vistoria e preparação para a MotoGP, que acontecerá esse ano, mas creio que também existam outros motivos que ainda não consegui apurar. O evento que estava marcado seria um Track Day, ou seja, uma competição por baterias para carros de rua com divisão por potência e experiência dos pilotos, depois, ao entardecer, teríamos um mini-campeonato de ¼ de milha, que seria realizado à noite, bem, vamos aos fatos: O campeonato oficial de arrancada do RJ, o Arranca-Rio, está sendo realizado em etapas mensais, com uma média de público de 5 mil pessoas nas arquibancadas, e mais de 100 carros participando em várias categorias, não creio que a FAERJ vá deixar a peteca cair e cancelar uma etapa devido a esse fechamento ridículo,pois aonde eles querem fazer as alterações não interfere nas arrancadas que acontecem na reta principal, inclusive já está em negociação uma liberação parcial da pista para que arrancada se realize no dia 2 de maio. Creio que o que aconteceu tenha se dado mais pelo fato de que, como o evento não era oficialmente apoiado pela FAERJ, ou seja, era uma data “comprada” por um organizador que resolveu realizar o evento de Track Day e arrancadade ¼ de milha, a FAERJ não se fez rogada em deixar que se fechasse o autódromo no período que a Secretaria de Esportes do RJ achou necessário, pois as suas etapas oficiais não corriam risco, inclusive no calendário oficial da FAERJ a estranha lacuna de mais de um mês entre as duas etapas do Campeonato Turismo já provavam que algo estava no ar. Resta apenas lamentar o cancelamento do Track Day, pois seria um evento muito interessante onde carros de rua poderiam mostrar todas as suas possibilidades de desempenho sem colocar em risco o patrimônio e vidas alheias. Inclusive, é até salutar para o motorista-piloto, pois ele irá buscar de uma forma mais científica e segura até onde estão os seus limites e os do seu veículo, coisa impossível; de se fazer na rua sem colocar em risco outras pessoas ou o seu próprio patrimônio. Aí vem a fatídica pergunta: mas realizar racha na rua é perigoso, no autódromo também não seria? Pois o carro pode se desgovernar e bater num guard-rail e o piloto se ferir no acidente? Resposta simples e rápida: nas ruas se você se coloca numa postura competitiva e sai correndo. Além de colocar em risco outras pessoas, motoristas e pedestres, que não estão preparados ou atentos para reagir com a velocidade com que o veículo passa por eles, você tem ainda vários fatores fora de seu controle que podem potencialmente provocar um acidente de graves proporções. Em um autódromo a coisa muda de figura, primeiro porque o próprio piloto vê que é apenas ele e a máquina, que está em um ambiente de risco controlado e que qualquer acidente o primeiro prejudicado é ele mesmo. Assim, quando ele está na pista a conscientização é plena, ele se arrisca dentro daquilo que é necessário e, mesmo que seja de forma imprudente o maior risco que ele corre é uma rodada ou um capotamento, já houve alguns pequenos acidentes em Track Days, inclusive um que foi realizado debaixo de chuva que mostrou os verdadeiros limites de um carro de rua em pista molhada. Se isso torna os motoristas mais prudentes e seguros nas ruas? Claro que sim, depois que você pilota em uma pista, dificilmente você terá chance de desenvolver as mesmas velocidades nas ruas, a plena consciência de seus limites é a principal proposta de um Track Day, com certeza, deveria ser até mesmo obrigatório essa experiência, pois criaria motoristas mais preparados para o trânsito. Só para exemplificar: hoje ao retornar para minha casa, um Celta colou na minha traseira, estava passando por uma estrada de serra que liga dois bairros aqui do RJ, a Grajaú-Jacarepaguá, essa estrada é relativamente perigosa, apesar de ser pista dupla separada por um canteiro central, como já estou acostumado a passar por ali quase que todos os dias, ganhei uma experiência razoável nesse trajeto. Bem, o sujeito resolveu que teria que me passar de qualquer forma. Meu ritmo de subida é sempre de 80/90 por hora, o que perfeitamente aceitável para a estrada e meu carro, um Monza. A partir de um determinado trecho, as curvas se tornam mais acentuadas, essas curvas além de serem fechadas, se tornam mais íngremes, exigindo mais motor, eu pensei “bem, ele veio colado em mim até aqui, daqui pra frente ele não vai conseguir me acompanhar”, ledo engano, o motorista-piloto resolveu que a maneira mais prática de me acompanhar subida acima era entortando o carro nas curvas para tentar perder o mínimo de distância possível. Era uma seqüência de seis curvas esquerda/direita, sei que lá pela terceira curva, os finíssimos pneus 145/70 do Celta não agüentaram e o carro deu uma violenta rodada, bem, foi estranho ver a traseira do carro no meu retrovisor, nem parei pra ver se tinha acontecido algo com os sujeitos, como vivo em uma cidade meio perigosa, não sei se tinha escapado de um assalto ou estava apenas vendo uma pessoa sem experiência quase provocando um acidente tentando correr mais que o carro podia. Agora imagine se o cara tivesse passado por uma experiência no Track Day? Será que me alcançava? Abraços a todos. P.S.: eu nunca participei de um Track Day, mas bem que gostaria... ANDRÉ BURITI
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